Esplenomegalia Malárica Hiperreativa

Amanda Ferguson, MD and Rebecca Stein-Wexler, MD
Departamento de Radiologia, Universidade da California, Davis
Tradução: Gabriel C L Miranda

Apresentação Clínica

Anamnese

Um homem de 19 anos, que recém emigrou da Papua Nova Guiné para os Estados Unidos, vai a consulta com seu médico de família por dor e distensão abdominal, bem como perda de peso. O paciente relata que já apresentava esta massa abdominal há meses, mas a piora da dor o fez buscar atendimento. Ele refere que teve febre e calafrios 6 meses antes da imigração, quando ainda estava na Papua Nova Guiné.

Exame físico

Pressão arterial Frequência cardíaca Frequência respiratória Oximetria de pulso Temperatura
110/90 70 10 99 36,9

Geral: Homem jovem, de aparência pálida.
Abdome: Massa com leve dor à palpação, estendendo-se do quadrante superior esquerdo à pelve. Discreta hepatomegalia.
Musculoesquelético: Sem adenopatias cervicais, axilares ou inguinais.

Imagem e exames laboratoriais

 Image1

Imunoensaio: EBV IgM: negativo
Citomegalovirus IgM: negativo
Malaria IgM: positivo

Diagnóstico Diferencial

  1. Processo infeccioso atípico
  2. EBV-Mononucleose
  3. Neoplasia hematológica

Achados em Ultrassonografia à Beira do Leito

 Image2 Imagem sagital demonstra esplenomegalia maciça, com comprimento esplênico de 23,5cm (normal 13cm). Sem líquido livre.

 Image3 Imagem transversa confirmando esplenomegalia, com volume marcadamente aumentado de 1349ml (normal 200ml).

Diagnóstico Diferencial Baseado na Imagem

  1. Processo infeccioso atípico
  2. Neoplasia hematológica

Conduta e/ou Evolução Clínica

Foi iniciada cloroquina devido aos anticorpos IgM positivo para malária e o paciente foi acompanhado cuidadosamente por vários meses. A esplenomegalia melhorou gradualmente e reduziram-se os anticorpos IgM.

Diagnóstico

Esplenomegalia malárica hiperreativa, também conhecida como esplenomegalia tropical

Discussão

A esplenomegalia malárica hiperreativa, também conhecida como esplenomegalia tropical, é a principal causa de esplenomegalia maciça em países endêmicos de malária. Sua etiologia não é clara. Acredita-se que ocorre por uma resposta imunológica exagerada à estimulação antigênica crônica pelo parasita da malária. Os critérios diagnósticos variam, sendo os de Fakunle mais comumente utilizados: esplenomegalia persistente, anticorpos IgM positivo para malária e melhora com o tratamento antimalárico.

Dentre as complicações estão infecção aguda, anemia hemolítica e ruptura esplênica, que podem ser fatais se não tratadas. A presença de líquido livre ou subcapsular pode indicar ruptura esplênica ou hematoma subcapsular. Acredita-se também que esta condição é precursora de diversas neoplasias hematológicas, incluindo linfoma esplênico e tricoleucemia. As semelhanças sorológicas entre as doenças podem torná-las indistinguíveis.

O tratamento desta afecção inclui uso de antimaláricos por longo prazo. Não havendo redução do tamanho esplênico ou de anticorpos IgM para malária, deve-se considerar diagnósticos alternativos, como neoplasia hematológica subjacente.

Referências

  1. Bisoffi, Z. et al. Chronic malaria and hyper-reactive malarial splenomegaly: a retrospective study on the largest series observed in a non-endemic country. Malar J 15 , (2016).
  2. Ajao, O. G. Enlarged Spleen Syndrome. J Natl Med Assoc 72 , 323–325 (1980).
  3. Leoni, S., Buonfrate, D., Angheben, A., Gobbi, F. & Bisoffi, Z. The hyper-reactive malarial splenomegaly: a systematic review of the literature. Malar. J. 14 , 185 (2015).