Dr. Stephen Vong
Departamento de Radiologia da Universidade da Califórnia, Davis
Tradução: Guilherme Pozueco Zaffari
Um menino de 5 anos sem história médica pregressa chega à emergência com febre e dor abdominal. Uma semana antes, apresentou um episódio de vômito em grande quantidade e dor periumbilical. A dor continuou, mas ele estava conseguindo comer e beber normalmente. Dois dias antes da internação, ele desenvolveu febre associado a defesa abdominal.
| Pressão Arterial | Frequência cardíaca | Frequência respiratória | Oximetria | Temperatura |
|---|---|---|---|---|
| 99/59 | 114 | 24 | 38,3 |
Geral:
Acordado, alerta, hipoativo.
Neuro:
Apropriado conforme a idade.
Cardíaco:
Ritmo regular, taquicárdico, sem sopro
Pulmonar:
Ausculta limpa bilateralmente, sem retração subcostal, sem esforço ventilatório
Abdômen:
Defesa significativa no quadrante inferior direito com uma massa palpável, defesa voluntária.
Imagem e exames laboratoriais
Leucócitos: 17.8 mil/mm³
Diagnóstico Diferencial de Dor Abdominal
Achados em Ultrassonografia à Beira do Leito
Imagens em escala de cinza mostram uma estrutura com fundo cego no quadrante inferior direito com a ponta (seta) e o corpo (estrela) identificáveis. Existe gordura hiperecóica adjacente. A estrutura mede 8 mm de dimensão transversal. O ecografista relatou defesa do paciente durante o exame.
Imagens em escala de cinza e doppler colorido demonstram coleção de fluido heterogêneo de 4,8 x 4,6 cm com hiperemia periférica ao redor da estrutura tubular com fundo cego.
O vídeo demonstra a estrutura com fundo cego no quadrante inferior direito cercado por uma grande coleção de fluidos heterogêneos.
A tomografia computadorizada com contraste (cortes axial e coronal) demonstra uma estrutura tubular dilatada com a extremidade em fundo cego (seta) circundada por uma grande coleção de fluidos de aumento heterogêneo (estrela).
Diagnóstico Diferencial Baseado na Imagem
Conduta e/ou Evolução Clínica
O paciente foi submetido à drenagem de abscesso guiada por ultrassom pela Radiologia Intervencionista. Após três dias de ceftriaxona e metronidazol, sua contagem de leucócitos normalizou. No terceiro dia de internação, o dreno foi removido e ele recebeu alta para casa, sendo submetido à apendicectomia ambulatorial um mês depois.
Diagnosis
Apendicite aguda complicada por perfuração e formação de abscesso.
Discussão
A apendicite na população pediátrica é comum, com incidência de 1,1/10.000 em pré-escolares, 6,8/10.000 entre 5 a 9 anos e 19,3 / 10.000 entre 10 a 14 anos. Diagnóstico incorreto e maior incidência de perfuração são observados em crianças de até 5 anos de idade, com incidência de perfuração variando de 43 a 72% dos casos. Isto pode ocorrer devido a uma variedade de motivos, como sintomas inespecíficos, dificuldade de comunicação, baixo índice de suspeita e sobreposição de outras doenças comuns da infância.
A imagem é vital no diagnóstico de apendicite. Em casos de apendicite aguda não complicada, haverá uma estrutura tubular com fundo cego não compressível terminando no quadrante inferior direito medindo mais de 6 mm na dimensão transversal. A periferia desta estrutura pode ser hiperêmica ("anel de fogo"). Um apendicólito com sombra acústica pode ser identificado dentro do lúmen. Também pode ser visto gordura hiperecóica adjacente (alterações inflamatórias) e linfonodos aumentados e dispersos. No caso de perfuração, a descontinuidade da parede apendicular pode ser identificada ou o apêndice inflamado pode ser circundado por alterações flogísticas/inflamatórias significativas e possível formação de abscesso. No entanto, em alguns casos de perfuração pode ser impossível identificar o apêndice, sendo o único achado uma inflamação intra-abdominal difusa ou localizada.
Referência