James Ford, MD & Michael Schick, DO
Departamento de Medicina de Emergência, Universidade da Califórnia Davis
Tradução: Daniel M. Pereira
Anamnese
Um homem de 22 anos apresenta-se com dor abdominal em um hospital distrital da área rural de Uganda. A dor iniciou esta manhã no sítio de uma hérnia umbilical não operada, piorou gradualmente e agora é difusa por todo o abdome. Ele refere náusea sem vômito. Evacuou pela última vez ontem à noite e não liberou fezes ou gases hoje. Ele nega febre, e a revisão dos demais sistemas é negativa. Ele não tem histórico de cirurgias no passado.
Exame físico
| Pressão arterial | Frequência Cardíaca | Frequência Respiratória | Oximetria de Pulso | Temperatura |
|---|---|---|---|---|
| 132/86 | 105 | 18 | 100% | 37,2°C |
Ectoscopia:
Homem jovem parecendo desconfortável, deitado imóvel na cama com as mãos sobre o abdome.
Abdome:
levemente distendido, porém depressível, com sensibilidade à palpação em todos os quatro quadrantes, sem rebote, com leve defesa. Hérnia umbilical presente com extrema sensibilidade à palpação, irredutível, com leve moteamento da pele sobrejacente em comparação com a pele no entorno.
Diagnóstico Diferencial
Achados em Ultrassonografia à Beira do Leito
Ultrassom do sítio da hérnia umbilical demonstrando intestino com conteúdo fecal intraluminal. Há espessamento da parede intestinal, não se visualiza peristalse nem líquido livre aparente.
Sítio da hérnia umbilical utilizando
power doppler
, que mostra ausência de fluxo de cores, parede edematosa e ausência de peristalse sugestiva de estrangulamento.
O quadrante superior esquerdo do abdome demonstra um estômago repleto de fezes e gás, com transmissão de pulsações cardíacas e aórticas.
Intestino delgado dilatado preenchido por fluido com válvulas coniventes claramente visualizadas. Consistente com obstrução de intestino delgado.
Diagnóstico Diferencial Baseado na Imagem
Hérnia umbilical encarcerada vs estrangulada com ou sem OID
Evolução Clínica e/ou Conduta
Uma sonda nasogástrica foi instalada para descompressão gástrica e o paciente foi hidratado com líquido IV. Foi solicitada consultoria da equipe de cirurgia geral, a qual viu o paciente e o levou com urgência à sala de cirurgia onde ele foi submetido a uma redução e reparo de hérnia com sucesso e foi liberado do hospital dois dias depois. De acordo com o cirurgião, o segmento de intestino dentro da hérnia parecia estrangulado, mas melhorou com a redução intraoperatória e não foi feita ressecção intestinal.
Diagnóstico
Hérnia umbilical estrangulada com obstrução do intestino delgado
Discussão
Hérnias encarceradas são uma das principais causas de OID mundialmente. Em locais com recursos limitados, o reparo eletivo de hérnias abdominais pode ser menos frequente, aumentando o risco de complicações futuras. Ao avaliar o abdome agudo nestas situações, é importante perguntar se o paciente tem alguma história de hérnia abdominal e realizar um exame completo da parede abdominal ventral e virilha para identificar possíveis hérnias.
Comparada com a Tomografia Computadorizada (TC), um estudo descobriu que Ultrassom (US) teve uma sensibilidade de 92% e uma especificidade de 94% no diagnóstico de OID, o que o torna especialmente útil em locais sem acesso a TC. Até onde sabemos, não há estudos publicados similares demonstrando a acurácia diagnóstica do US no diagnóstico de hérnias estranguladas. Ainda assim, achados de US sugestivos de estrangulamento de hérnia incluem espessamento do saco herniário, presença de gordura hiperecóica, fluido dentro do saco, intestino dilatado dentro do saco, parede intestinal edematosa (>3mm) e perda da peristalse no sítio de estrangulamento intestinal.
Ao encontrar-se uma hérnia estrangulada, seja com ou sem OID, o manejo inicial deve incluir descompressão gástrica com uma sonda nasogástrica, fluidos IV e consultoria cirúrgica de emergência.
Referências