Navneet Dhillon, BS and Michael Schick, DO
Departamento de Medicina de Emergência, Universidade da California, Davis
Tradução: Gabriel C L Miranda
Anamnese
Um garoto de 6 anos vem a uma emergência no norte do Laos com uma queixa de dor na perna direita há duas semanas. A dor iniciou como uma cãibra, mas piorou progressivamente e agora ele não consegue apoiar-se na perna. Ele também relata sensação de febre e calafrios nos últimos dois dias. Quatro semanas atrás, ele teve febre e tosse e foi prescrito uma medicação por uma farmácia local, que foi administrada via injeção intramuscular por seu pai.
Exame físico
| Pressão arterial | Frequência cardíaca | Frequência respiratória | Oximetria de pulso | Temperatura |
|---|---|---|---|---|
| 116/78 | 130 | 22 | 99% | 38,3˚C |
Musculoesquelético:
Dor muscular à mobilização de membro inferior direito. Sem dor articular.
Extremidades:
Panturrilha e região medial da coxa direita com empastamento e dor à palpação.
Pele:
Sem alterações cutâneas visíveis.
Imagem e exames laboratoriais
Fotografia de panturrilha direita.
Fotografia de região posterior de coxa direita.
Diagnóstico Diferencial
Achados em Ultrassonografia à Beira do Leito
Este clipe mostra o eixo longo do músculo gastrocnêmio. Visualiza-se regiões anecóicas envoltas por regiões hipoecóicas do gastrocnêmio, que apresentam padrão muscular estriado reduzido, o que é consistente com edema muscular e inflamação circundando uma coleção de fluido. Sem sinais de edema superficial.
Imagem congelada do eixo curto do gastrocnêmio mostra região anecóica bem delimitada dentro de uma região hipoecoica de maior tamanho, envoltos por tecido muscular de aspecto normal.
Clipe da coxa posterior demonstrando região hipoecóica e anecóica no músculo isquiotibial.
Diagnóstico Diferencial Baseado na Imagem
Piomiosite
Conduta e/ou Evolução Clínica
O paciente recebeu ampicilina EV para um suposto Staphylococcus aureus sensível à meticilina. Foi considerada drenagem devido às coleções anecóicas intramusculares, no entanto, o paciente apresentou melhora progressiva e recebeu alta com antibiótico VO após cinco dias.
Diagnóstico
Piomiosite tropical, 2º estágio
Discussão
A piomiosite trata-se de uma infecção e/ou abscesso intramuscular. Na piomiosite tropical, os pacientes são usualmente saudáveis e têm poucas ou nenhuma comorbidade. Acredita-se que a maioria dos casos resultam de disseminação hematogênica. Por isto, a doença pode aparecer isoladamente no músculo, o que pode dificultar o diagnóstico. Infecções ocorrendo em regiões tropicais geralmente estão associadas a Staphylococcus aureus sensível à meticilina, enquanto em ambientes com mais recursos há maior prevalência de Staphylococcus aureus resistente à meticilina. Em pacientes diabéticos, também pode ser isolado E. coli .
A piomiosite pode ser confundida com hematomas ou trombose venosa profunda (TVP), tornando o ultrassom uma modalidade de imagem inicial muito útil. Este permite visualização rápida e custo-efetiva de tecidos mais profundos, auxiliando no diagnóstico de piomiosite.
Há dois achados ultrassonográficos associados com a piomiosite. No primeiro estágio, há presença de áreas hipoecóicas mal-definidas e edema muscular localizado. No segundo estágio, as coleções de fluido se tornam mais bem definidas com a formação de abscessos intramusculares, semelhante ao caso acima. O ultrassom pode ser útil também para guiar a drenagem de abscessos maiores, com tenham baixa probabilidade de resolução com apenas antibioticoterapia.
Referências