Ellen Asselin and John Rose, MD
Departamento de Medicina de Emergência, Universidade Davis daCalifórnia
Tradução: Guilherme Pozueco Zaffari
Anamnese
Um homem de 23 anos sem história médica pregressa significativa apresenta-se com importante falta de ar em repouso. Ele chegou à estação Amundsen-Scott no Pólo Sul três dias antes do início dos sintomas e iniciou atividade física árdua como trabalhador no posto de combustível. Nos dias seguintes, ele desenvolveu tosse seca, falta de ar e respiração ofegante à noite. Ele não toma medicações. Nega traumas, febre ou calafrios.
Exame físico
| Pressão arterial | Frequência cardíaca | Frequência respiratória | Oximetria de pulso | Temperatura |
|---|---|---|---|---|
| 154/90 | 120 | 36 | 49% | 36,6 C |
Geral:
Mal estado geral, com visível falta de ar durante o exame.
Respiratório:
Chiado e estertores em campos pulmonares à direita.
Imagem
Infiltrado intersticial irregular no lobo médio à direita
Diagnóstico Diferencial
Achados em Ultrassonografia à Beira do Leito
Imagem sagital da parede torácica anterior com transdutor curvodemonstra linha pleural com bom deslizamento pulmonar em toda a extensão, sem evidência de ponto de transição, associada a múltiplas linhas B focais.
Diagnóstico Diferencial Baseado na Imagem
Edema pulmonar de alta altitude versus pneumonia.
Coe/ou Evolução Clínica
Os achados da ultrassonografia e do raio-x de tórax são consistentes com edema pulmonar de alta altitude (EPAA). Foi iniciado oxigênio de alto fluxo e administrado 10mg de nifedipina via oral e 250mg de acetazolamida. Antes de sua evacuação médica na manhã seguinte para o hospital McMurdo, que fica ao nível do mar, sua saturação de oxigênio melhorou para 90% e o oxigênio foi reduzido para 6L por cânula nasal. Ele ficou assintomático em 24 horas e retomou o trabalho na semana seguinte.
Diagnóstico
Edema pulmonar de alta altitude (EPAA)
Discussão
O edema pulmonar de alta altitude (EPAA) é caracterizado pelo acúmulo anormal de fluidos nos pulmões. É a doença relacionada à altitude usualmente mais letal e, portanto, as populações de alto risco incluem montanhistas, equipes de resgate e outros indivíduos que ascendem rapidamente a grandes altitudes. A fisiopatologia desta doença envolve uma pressão arterial pulmonar elevada induzida por hipóxia e desbalanço de ventilação-perfusão, associada a uma quebra da barreira alveolar e extravasamento de fluidos. Embora fatores circunstanciais aumentem o risco de manifestar a doença, como exercícios vigorosos e temperaturas frias, também existem muitas vias de regulação gênica envolvidas na aclimatação da altitude que podem estar associadas ao desenvolvimento desta doença, incluindo a produção de óxido nítrico, a via renina-angiotensina-aldosterona e fator induzível por hipóxia.
Os sintomas de EPAA incluem tosse não produtiva e falta de ar aos esforços. O diagnóstico é baseado em achados clínicos e complementado por imagens de ultrassom, que é altamente sensível no reconhecimento de congestão pulmonar. O infiltrado pulmonar tem predileção por se desenvolver inicialmente nos campos pulmonares médios e, particularmente, no lobo médio direito. A ultrassonografia realizada na fase aguda pode demonstrar linhas B ou sinal da cauda de cometa. Embora não haja um limite para o número de linhas B para indicar quantitativamente um diagnóstico de EPAA, a rápida melhora sintomática com oxigênio suplementar e retorno à altitude basal corrobora fortemente o diagnóstico.
Referências