Dirofilariose humana

Amanda Ferguson, MD
Departamento de Radiologia, Universidade da Califórnia, Davis
Tradução: Guilherme Pozueco Zaffari

Apresentação Clínica

Anamnese

Um homem de 45 anos, HIV positivo, apresenta nódulo subcutâneo indolor em seu antebraço esquerdo há três semanas. Ele notou um inchaço moderado no braço esquerdo 3 semanas antes do desenvolvimento do nódulo. O paciente relatou que acabara de retornar de uma viagem de um mês à Croácia para visitar a família. Além do nódulo no antebraço, ele notou visão turva por 1 semana. O paciente negou febre.

Exame físico

Pressão arterial Frequência cardíaca Frequência respiratória Oximetria de pulso Temperatura
80 16 37

Geral: Boa aparência
Cabeça, olhos, orelhas, nariz e orofaringe: Sem alterações
Pele: nódulo subcutâneo de 2 cm no antebraço esquerdo, profundamente inserido nos tecidos moles.

Exames laboratoriais  Figure 1

Diagnóstico Diferencial

  1. Infecção bacteriana
  2. Infecção atípica
  3. Tumor de tecido mole

Achados em Ultrassonografia à Beira do Leito

 Figure 2: Há uma lesão bem circunscrita nos tecidos moles subcutâneos do antebraço na área da anormalidade palpável. Dentro de uma cápsula espessa há uma estrutura tubular com paredes ecogênicas e lucência central.

 Figure 3: Durante o exame ultrassonográfico (ver vídeo), a estrutura tubular se moveu de forma independente.

Diagnóstico Diferencial Baseado na Imagem

  1. Infecção parasitária

Conduta Manejo e/ou Evolução Clínica

O paciente foi encaminhado para excisão cirúrgica da cápsula, a qual foi encaminhada à patologia. Durante a cirurgia, uma estrutura tubular longa compatível com um nematóide foi removida. O paciente também foi encaminhado para oftalmologia para avaliação de envolvimento ocular devido a queixa de visão turva.

Diagnóstico

Dirofilariose Subcutânea Humana

Discussão

Dirofilariose subcutânea humana é uma filariose zoonótica causada por infecção da família de nematóides Dirofilaria , comumente Diafilaria repens . Este verme é endêmico em muitas áreas do mundo, incluindo na África subsaariana, Ásia e Europa (especialmente Itália e Europa Oriental). Seu reservatório primário são os cães, onde o verme forma um cisto subcutâneo antes de liberar microfilárias na corrente sanguínea. Essas microfilárias podem ser transmitidas para humanos por meio de mosquitos. Uma microfilária pode se desenvolver em um nematóide em humanos, mas não atinge a idade adulta completa, nunca amadurecendo para liberar microfilárias. No entanto, pode viver por um período significativo dentro de um hospedeiro humano, onde forma um cisto.

Algumas das localizações mais comuns onde esse nematóide foi encontrado em humanos incluem a pele em extremidades, a área genital e os olhos. A apresentação clínica varia conforme o local onde o nematóide encista-se. A dirofilariose subcutânea geralmente apresenta-se como um nódulo, que pode ser apresentar dor/desconforto à palpação.

O diagnóstico da dirofilariose humana pode ser difícil quando o paciente apresenta-se em uma área não endêmica. O histórico de viagens recentes a locais de alto risco é fundamental para o diagnóstico. O ultrassom mostra uma estrutura tubular com paredes ecogênicas e um centro lucente. O tratamento dessa infecção geralmente é a excisão local sem terapia farmacológica.

Referências

  1. Genchi, C. & Kramer, L. Subcutaneous dirofilariosis (Dirofilaria repens): an infection spreading throughout the old world. Parasit Vectors 10 , (2017).
  2. Kramer, L. H. et al. Human Subcutaneous Dirofilariasis, Russia. Emerg Infect Dis 13 , 150–152 (2007).
  3. Sukumarakurup, S. et al. Subcutaneous human dirofilariasis. Indian J Dermatol Venereol Leprol 81 , 59–61 (2015).